terça-feira, 26 de março de 2013

o coração bombista

Partiu deste mundo com uma explosão no peito, num desenho de vida expandida em múltiplas trajectórias disparadas a direito. Do coração, restou um pequeno saco rebentado no chão e um charco de sangue vertical, a desenhar linhas em queda livre pela parede como pincel de tinta vermelha a criar uma pintura oriental.
Morreu de emoção. Alegre, com satisfação, feliz como ninguém. Só assim foi capaz de expressar o tamanho que um afecto impossível tem. Morrer, de verdade, não morreu; foi apenas o que sentiu quando, sem contar, um dia descobriu um amor que sempre quis seu.
Explodiu-lhe o peito, como se fosse esse o propósito para o qual o coração foi feito.

2 comentários:

Andy Girl disse...

Não sei o ue dizer, mas este pequeno texto está fantástico
Aliás,, como tudo o que escreves
É profundo refletido.

Manuel Alves disse...

Olá, Andy Girl.

Aqui, é o coração que escreve. Eu sou apenas o toque de dedos que lhe transforma as palavras em voz. Afinal, é isso mesmo que o coração espera de nós. ;)